Entrevista com Salia Binaud da Duara Travels sobre como o turismo pode apoiar famílias locais

A matéria original foi publicada na Travindy.com no 25/11/2019 por Jeremy Smith
Tradução para o Portuguese por Clara Carybe.

Entrevista com Salia Binaud da Duara Travels sobre como o turismo pode apoiar famílias locais

Salia Binaud, Chefe de Operações da empresa finlandesa de turismo responsável, Duara Travels, Duara Travels, fala com Jeremy Smith sobre o modelo de negócios da empresa que procura conectar viajantes com famílias locais.

JEREMY: O que inspirou a Duara Travels? Como ele começou?

SALIA: Duara Travels inspirou-se na dificuldade dos fundadores de ter acesso à autêntica vida local quando viajavam para diferentes partes do mundo. Eles também perceberam que o dinheiro do turismo raramente chegava aos habitantes locais de baixa renda. As mulheres, cada uma por seu lado, começaram a desenvolver a ideia de negócio – e foi a concurso “Impact Business” da Universidade Aalto de Helsinki que deu um impulso ao projeto. A ideia conceitual ganhou o concurso e a empresa foi fundada.

Entrevista com Salia Binaud da Duara Travels sobre como o turismo pode apoiar famílias locais

Duara é uma palavra suaíli e significa círculo. É exatamente isso que criamos nas nossas aldeias, unindo famílias para oferecer aos viajantes experiências que duram para sempre.

JEREMY: Como você seleciona as pessoas com as quais trabalha, considerando que elas podem ter pouca experiência em turismo?

SALIA: Não precisamos que as famílias anfitriãs tenham experiência em hospedagem ou turismo, pois faz parte do conceito oferecer algo autêntico e não turístico para os viajantes. No entanto, orientamos as famílias interessadas em hospedar viajantes. Por exemplo, elas devem oferecer um quarto individual com lençóis limpos, mosquiteiro e um armário com chave. A casa deve ter um banheiro que os viajantes possam usar. Também queremos que os anfitriões tenham interesse em conhecer os viajantes e estejam disponíveis para passar um tempo com eles e apresentar-lhes sua vida diária. Planejamos as atividades e programas com os anfitriões, de modo a que a experiência seja interessante e significativa para os viajantes, mas ao mesmo tempo os anfitriões podem escolher por si mesmos o que mostrar aos visitantes e o que fazer juntos.

O contato local que ajuda os viajantes a chegar na aldeia e em outros pequenos aspectos práticos, precisa falar inglês e ter acesso à Internet e a mídias sociais para comunicação. Os contatos locais normalmente são naturais de uma das vilas com as quais operam e estão trabalhando ou estudando na cidade. Eles estão interessados em trabalhar com a Duara sobretudo para ajudar a aldeia deles e para estabelecer contatos com estrangeiros. Alguns deles também trabalham no turismo, outros não.

JEREMY: Que tipo de apoio / treinamento você dá às famílias para ajudá-las a lidar com turistas?

SALIA: Oferecemos aos contatos e às famílias anfitriãs dicas sobre ca comunicação com os viajantes. Para isso, preparamos guias que incluem informação e ajuda para a hospedagem, a comunicação, distribuição das receitas, etc. também estamos sempre disponíveis para perguntas e para ajudar, se necessário. Eu pessoalmente me comunico com algumas dos nossos contato quase diariamente, especialmente na alta temporada. Também lhes pedimos (contato e famílias anfitriãs) feedback regular para melhorar o conceito do lado dos habitantes locais.

JEREMY: Qual é a meta de longo prazo da empresa?

SALIA: Os nossos principais objetivos neste momento são aumentar as reservas através de novos parceiros de vendas e operações de marketing, criar um mercado totalmente novo com aldeias Duara na Finlândia e incorporar ao projeto novas aldeias nos países em desenvolvimento.

No entanto, com 28 aldeias neste momento, o objetivo mais importante é aumentar o número de reservas para ajudar as aldeias ganhar mais renda e aumentar a consciência sobre o turismo socialmente sustentável. A longo prazo, desejamos ter reservas e receita suficientes para nos tornarmos uma empresa lucrativa.

JEREMY: Quais foram suas maiores lições até agora? Qual o seu conselho para as pessoas  que estavam pensando em um negócio semelhante?

SALIA: Quando você faz o negócio social você tem que fazê-lo pela paixão e porque você acredita no que faz. No nosso caso, o fato de 60 % da renda serem diretamente destinados às aldeias locais, que consideramos muito importantes, não ajuda a equipe ter renda. Portanto, você precisa estar pronto para sempre procurar  diferentes possibilidades de financiamento para poder continuar com o projeto. Também é extremamente importante estar no mercado no momento certo – se você perder sua chance ou começar muito cedo, poderá ter muito mais dificuldade.

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